Foi sepultado no domingo (24), aos 48 anos de idade, o escritor, poeta, professor e sociólogo Paulo Tortello. Internado há algumas semanas por conta do agravamento de um quadro de infecção intestinal, Tortello foi acometido por septicemia. Paulo Fernando Nóbrega Tortello era o primeiro dos cinco filhos do também professor João Tortello e de Maria Helena Nóbrega Tortello. Desde cedo, influenciado pelo pai, mostrou inclinação para a literatura.

Um dos fundadores da Academia Sorocabana de Letras (ASL), da qual era sócio emérito, Tortello, comenta o presidente da entidade Geraldo Bonadio, "transitava com desenvoltura por todos os estilos literários".

"Sua morte representa a perda de um dos maiores estudiosos locais de questões relativas à língua portuguesa", destacou Bonadio. Tortello trabalhou durante anos como redator de "O São Paulo", órgão informativo oficial da arquidiocese de São Paulo. Na época, cursava Ciências Sociais e se reportava diretamente ao cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

No começo da década de 90, o escritor ainda organizou dois volumes da coleção "O Pensamento Vivo de..", editado pela Martin Claret. Produziu os textos introdutórios com dados biográficos, cronológicos e a interpretação das obras de Marx e Lenin.

Coordenou também as atividades daquele que é considerado um dos projetos literários mais importantes de Sorocaba: o "Poesia em Debate". A iniciativa reúne, uma vez por mês, aficcionados por poesia que dispõem de espaço para mostrar e discutir seus trabalhos.

Mais recentemente dedicou-se ao ensino da língua portuguesa e apresentou na rádio Jovem Pan o quadro "A língua ao pé da letra", em que respondia dúvidas dos ouvintes a respeito do tema. No Cruzeiro do Sul escrevia a coluna semanal "Língua Portuguesa", aos domingos, no caderno Mais Cruzeiro.

Paulo Tortello deixou duas filhas: Ana Carolina e Júlia. O corpo do escritor foi velado na Ofebas durante o dia e, no final da tarde de domingo (24), sepultado no Cemitério Pax.

Jornal Cruzeiro do Sul – Dia 25/09/2000